Vias da Realização Espiritual

São duas as Vias a percorrer na busca da Realização Espiritual: Mental e Cardíaca. Elas se unem a partir de elevada altura: a da Compaixão. E, se todas as atividades humanas abundam – até com aparente excesso – em considerações de ordem intelectual, a razão é a que já apontei no livro Yo que Caminé por el Mundo: o ser humano só pode gozar de duas posições principais: ou tem mais fé, que desejo ou pretensão de compreender, em cujo caso tudo é fácil, dentro das relatividades da existência humana. Ou, tendo ficado divorciado da fé singela, por motivos que podem ser de muitas origens diferentes, acha-se lançado na senda da “inquietude” mental, e não mais terá paz até: ou achar a Verdade, pela renúncia e o discernimento (Via Mental levada até suas mais elevadas etapas); ou, sentindo quanto tal Via é árida e separativa, regressa, apesar de todas as dores e decepções, para o convívio geral, na Via Cardíaca.

Mas, desta vez, é bem verdade, que sua Fé, esclarecida pelas experiências e meditações, torna-se tanto mais sólida que já renunciou a analisar, ou saber, o que verificou estar acima da real compreensão, no estado mental comum, e, tendo verificado que, para elevar, realmente, tal percepção até as etapas supramentais, isso iria requerer um esforço, uma tensão e um modo de vida que muito raros indivíduos se dispõem a viver.

Não é que as dificuldades de seguir a Via Cardíaca sejam menores. Há o perigo de cair, nesta Via também, na rotina e na confusão. Na rotina de fazer atos mediocremente úteis, sem posição interior esforçadamente espiritual. E na confusão que resultaria de pensar, como a muitos acontece, que o simples fato de falar muito em Jesus, ou na Caridade, fazendo obras que – embora úteis à coletividade – não apresentem corno base esse mesmo esfôrço de superação, de modelagem, de têmpera…

(Sri Sevãnanda Swami, 2º Patriarca Expectante, em “O Mestre Philippe, de Lyon” – Volume III)