A Perspectiva Martinezista de Cristo

A fim de buscar compreensão sobre o modo como os princípios psíquicos do bem e do mal se manifestam e se comportam no mito da reintegração dos seres, em Teodiceia psíquica apresentamos uma análise simbólica da narrativa do Tratado da Reintegração dos Seres de Martines de Pasqually (2007). Nessa análise, dividida em dois capítulos, tratamos primeiramente da cosmogênese e da pneumatologia martinezista e, em seguida, esmiuçamos de maneira extensa cada um dos modelos apresentados pelo autor.

Iniciamos nossa análise apresentando o Criador como o ponto de origem de tudo e de todos que foram emanados, criados e emancipados. Por sua vez, ao final de nossa análise, talvez o mais esperado para o seu desfecho fosse que tivéssemos nos focado no fim último que Pasqually determina para o homem, bem como para todos os níveis de realidade que compõe o universo e todos os seres. Esse, no entanto, não foi o caso. Para Pasqually (2007), a reintegração é a retomada por todos os seres de seus estados primeiros, dos lugares ocupados antes das prevaricações.

Quando trabalhamos com conceito martinezista de Deus, dissemos que Pasqually (2007) preconizou o entendimento de que o homem, a partir da prevaricação, está afastado da imensidade divina. Esse afastamento, a passagem do estado pensante para pensativo, no entanto, não pode ser definitivo e, a fim de ajudar o homem a recuperar o corpo glorioso que anteriormente possuíra, o Criador delegou um espírito especial para ajudá-lo. Lançar luz a respeito desse espírito e de sua ação entre os menores, suspeitamos, era o grande objetivo da obra de Pasqually. Ele, entretanto, faleceu antes de terminar seu trabalho e infelizmente seus comentários não alcançaram plenamente esse objetivo.

Pasqually (2007) chamou o espírito reparador de espírito octogonário. Oito, de acordo com o Tratado, é o número inato da dupla potência “dada pelo Criador ao Cristo, e é ele que nos ensina que o Messias operou todas as coisas em favor dos homens temporais da primeira e da segunda posteridade de Adão” (p.95). Dessa maneira, conforme considera Pasqually (2007), “o verdadeiro Messias sempre esteve com os filhos de Deus, porém desconhecido” (p.149), incógnito aos olhos da maioria.

REFERÊNCIA

PASQUALLY, Martines de. Tratado da reintegração dos seres: em sua primeira propriedade, virtude e potência espiritual divina. Curitiba: Diffusion Rosicrucienne, 2007.

Texto de Ivan Côrrea publicado originalmente no site Hermanubis