A Ordem Martinista em solo brasileiro

No Brasil, a história da Ordem Martinista (O.M.) começa tão logo quanto a O.M. se desenvolve na Europa. Em 1904, Dário Velozo, fundador do ainda existente Instituto Neopitagórico, recebe uma carta patente de Papus e se torna Delegado Nacional da O.M. para o Brasil.

Dessa época, também se destaca o nome de Antonio Olívio Rodrigues (Mestre AOR), fundador do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, também ainda existente, que, posteriormente, também deu origem à Editora Pensamento. Em 1907, AOR foi iniciado em uma Loja Martinista que operava em São Paulo sob a coordenação do Dr. Horácio de Carvalho (também iniciado por Papus).

Por sua vez, temos Francisco Waldomiro Lorens (Sévaka), S.I.I. da Ordem Martinsita de Papus e Doutor em Kabbalah da OKRC de Stanislas de Guaita. Ele foi um importante colaborador do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento e muitos de seus interessantes livros foram publicados pela Editora Pensamento.

Também devemos mencionar Albert Raymond Costet, Conde de Mascheville ou Mestre Cedaior (vide foto). Iniciado por Ivon Leloup (Sedir), membro do primeiro Supremo Conselho da O.M., Cedaior também teve um contato especial com Nizier Phiplippe – a quem Papus considerou seu mentor espiritual. Cedaior foi um mestre especialmente apaixonado pelas tradições orientais (a Loja presidida por Sedir, onde Cedaior foi iniciado, era dedicada ao estudo das tradições orientais). Ele foi Doutor em Kabbalah da OKRC de Stanislas de Guaita e consagrado Bispo pelas mãos do Patriarca da Igreja Gnóstica, Jules Doinel, tendo deixado, no Brasil, um importante legado no que diz respeito a essas duas Tradições (OKRC – Ramo Cedaior e Igreja Expectante, ambas ainda atuantes). Foi Cedaior quem sucedeu a Dário Velozo no ofício de Delegado Nacional.

Cedaior se casou com Emma Costet de Macheville, importante referência no estudo da astrologia como ciência iniciática.

Léo Alvarez Costet de Mecheville (Jehel), filho de Cedaior, também trabalhou intensamente pelo estabelecimento da O.M. na América do Sul e no Brasil junto a seu pai e a Dário Velozo. Jehel sucedeu Cedaior no ofício de Delegado Nacional da O.M. para o Brasil. Na década de 50, depois de uma estadia no Uruguai, Jehel funda o Monastério Essênio e Ashram de Sarva Yoga “AMO-PAX” em Rezende –RJ.

Interessa-nos destacar que desse movimento da O.M. nasce, em 1939, a Ordem Martinista da América do Sul (contando, principalmente, com membros do Brasil, da Argentina e do Uruguai). A OMAS era uma miniatura da O.M. fundada por Papus e, pouco tempo depois, também se aliou ao bem estabelecido grupo martinista chileno.

A OMAS original se fragmentou em alguns ramos diferentes: OMAS (de Pedro Freire), Ordem Martinista (de Jehel, no Uruguai) e Ordem Martinista Universal (no Rio de Janeiro). Pedro Pinto Soares Freire (Athaulpa ou Mauá) recebeu a distinção de Doutor em Kabbalah de Francisco Lorenz e foi nomeado Patriarca da Igreja Gnóstica por Robert Ambelain (Aurifer) em uma consagração muito contestada.

Esses ramos que citamos se fragmentaram e fragmentaram e fragmentaram… E hoje em dia ainda se fragmentam… Notem que essa fragmentação é uma característica e uma possibilidade da tradição da O.M., que é um tanto rizomática, e só se torna um problema quando grandes distorções são inseridas na Tradição.

Do movimento de fragmentação surgiram, então, inúmeras tentativas de se recuperar alianças com os Irmãos europeus em um movimento unificatório. Nos anos 70, Ary Ilha Xavier (Sedir), que trabalhou com Pedro Freire e Otto Gemano Beust (Kunrath), é figura de destaque. Em viagens para Paris, Ary estreita laços com Robert Ambelain e Phillipe Encausse (filho de Papus) e é nomeado Delegado Nacional da OM para o Brasil. Ary também estreitou laços com Ivan Mosca (Hermete), na Itália, com José de Via (Persival), na Espanha e com Emilio Lorenzo. Quem assume a liderança da Ordem após a morte de Ary e Otto é “Seo Jaime”. E a Ordem continua a se fragmentar…

Com o advento da globalização da informação, tornando-se os laços com Irmãos estrangeiros ainda mais fáceis, outros Irmãos passaram a estabelecer laços com os inúmeros ramos existentes da Ordem Martinista mundo afora. É nesse momento que OMCC, ICES, OM&S, AMO, AOM, OMN, RCMO, OM?, OM?? são estabelecidos por aqui. Em 1986, por um caminho a parte, a TOM também começou a ser implantada no Brasil.

Nesse breve esboço, podemos contemplar o modo como a Tradição da O.M. é bastante rica e plural em solo brasileiro.

LVX!