A Encarnação de Cristo e o Primeiro Homem

“A encarnação de Cristo é um mistério do qual a razão exterior nada sabe. Ela ocorreu em todos os três Princípios e não pode ser penetrada, a menos que conheçamos totalmente o primeiro homem em sua criação, antes da queda. Adão deveria gerar de si próprio o segundo homem, de acordo com o caráter da Santíssima Trindade, onde o nome Jesus estava incorporado, mas isto não foi possível. Portanto, outro Adão teve que surgir, para quem isto era possível; pois o Cristo é a imagem virgem, segundo o caráter da Santíssima Trindade. Adão foi concebido no amor de Deus e nasceu neste mundo. Ele tinha a essencialidade divina e sua alma era do primeiro princípio, da propriedade do Pai. Ela deveria ser direcionada, através da imaginação, ao Coração do Pai, ou seja, ao Verbo e Espírito do amor e pureza. Deveria alimentar-se da essencialidade do amor. Desta forma, preservaria a natureza de Deus em si – no Verbo da Vida – podendo se tornar fecunda pelo poder que brotava do Coração do Pai. Com isso, poderia imaginar, de si mesma, em suas essências; ela mesmo tornaria suas essências fecundas, a fim de que uma completa semelhança, de acordo com a primeira imagem, surgiria através da imaginação e da vontade da alma, que a envolve, sendo concebida no poder da essência”. (Jacob Boehme)