Espiritualidade verdadeira é simples

“A espiritualidade não é ficar adorando Mestres, Santos e Anjos.
Não é brincar de ser Arcturiano, Oriano, Siriano, Ser Cristal, índigo, Diamante.
Não é dizer que está desperto.
Acreditar em Deus não é dizer que é do raio azul ou verde, nem muito menos ficar decretando que é luz, amor, “eu posso”, “eu sou”
Não é rezar, orar, praticar yoga, exercer práticas intermináveis, ler incansáveis livros, participar de retiros, não é ler canalizações, nem ser canalizador.
Não é saber, conhecer, não é fazer dietas ditas especiais, usar roupas indianas, não é visitar Machu Pitchu, Índia, Himalaia, Nepal, templos, igrejas, lugares ditos mistícos, viver em aldeias, ecovilas, não é ser reconhecido como médium, bruxo, mago, guru, cigano, monge.
Espiritualidade não é rituais, magias, bruxarias, enfim.
A real Espiritualidade não é um parque de diversões onde adultos infantilizados se portam como super-heróis.
Isso tudo é identificação, querer estar, participar de um mundo que o alimente e lhe diga que você é Espiritualista.
Isso é Ego, Ilusão.
Espiritualidade verdadeira é simples, é Ser, apenas despertar e assimilar a sua Real Natureza que É.
Quando isso acontece, nada daquilo escrito acima existe.
Toda essa imaginação ilusória se dissolve e você se torna quem sempre foi, a Divina Consciência.
Nessa existência, o real desperto apenas observa e se apercebe das ilusões, a partir da qual ele, como sujeito de um experimento, evolui em suas percepções.”

(Rommy Fleck)

O Discípulo deve entender o que faz

“O Quarto Caminho difere dos outros porque a sua principal exigência ou pré-requisito é o que o discípulo entenda o que faz. Um homem não deve fazer nada que não entenda, que não faça sentido para ele. Poucas excepções se abrem quando está sob a supervisão de seu mestre. Quanto mais um homem entende o que faz melhores resultados vai obter de seus esforços. Esse é um princípio fundamental do Quarto Caminho. Os resultados de um Trabalho são proporcionais à consciência que se tem desse Trabalho.”

(Gurdjieff)

Breve Histórico do Martinismo no Brasil

“Até os dias de hoje, muito pouco, ou quase nada, foi escrito sobre a história do desenvolvimento do Martinismo no Brasil. Apenas alguns fragmentos, aqui e acolá, nas velhas bibliotecas particulares de uns raros iniciados ou contada de boca-a-ouvido. Reconstituir essa história é uma tarefa difícil e demorada na qual nos empenhamos, sabendo desde já que uma grande nebulosa cobre o passado das Sociedades Secretas.

Logo após a grande expansão do Martinismo no mundo, dada por Gerard Encausse – PAPUS, encontramos registros de uma primeira Delegação Nacional para o Brasil, através de uma Carta Patente nº 141, dada pelo próprio Papus, em 1904, a um de seus Iniciados: Dario Velozo.

O poeta, filósofo e professor Dario Velozo, de nome simbólico APOLÔNIO, nascido em 26 de Novembro de 1869, desenvolveu na cidade de Curitiba um trabalho pioneiro mas efêmero de divulgação do Martinismo, tendo dedicado-se principalmente ao seu “Instituto Neopitagórico”, instituição iniciática ainda existente que se dedica aos estudos filosóficos nos moldes dos antigos gregos.

Dos precursores do movimento Martinista, um nome se faz necessário render homenagem: António Olívio Rodrigues, AOR, nascido em Portugal em 1879, chegou ao Brasil em 1890. Com vinte anos de idade já interessava-se pelos estudos iniciáticos e como um verdadeiro buscador, veio a encontrar a iniciação em 1907, em uma Loja Martinista que trabalhava silenciosamente em São Paulo, sob a direção do não menos importante e venerável, Dr. Horácio de Carvalho, que era, por sua vez, iniciado de Papus.

AOR deu uma contribuição imensurável à iniciação com seu trabalho de divulgação, através a criação do “Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento”. O Círculo Esotérico constituiu-se, sem dúvida, no maior divulgador, não do Martinismo, mas do Ocultismo, que era a esta altura, incipiente no país. Daí a grande dificuldade de se desenvolver o Martinismo.

O Circulo Esotérico foi uma associação que congregou na primeira metade do século, mais de cem mil membros ativos, com palestras, cursos, reuniões e publicações de livros. A Editora “O Pensamento” foi que trouxe ao país as obras de Eliphas Levi, Papus e tantos outros. AOR veio a falecer em 1943.

Ainda como colaborador do Círculo Esotérico temos a importante figura de Francisco Waldomiro Lorenz, aliás SÉVAKA, S.I.I, Doutor em Kabala, nascido na Boêmia, província da Tchecoslováquia, em 24 de dezembro de 1872. Teve, ainda na Boêmia, aos 18 anos de idade, editado seu primeiro livro. Grande iluminado, de reconhecida cultura, falava 72 línguas, entre vivas, mortas e dialetos. Publicou no Brasil vários livros como “Noções elementares de Cabala”, “Lições Práticas de Ocultismo Utilitário”, “Raios de Luz Espiritual”, além muitas outras obras, redigiu por mais de 20 anos, o “Almanaque do Pensamento”, editado até hoje pela Editora Pensamento.

O espírito do Martinismo porém, vem até nós por um outro Iniciado, Albert Raymond Costet – Conde de Mascheville, aliás CEDAIOR, como viria a ser conhecido no meio iniciático. Nasceu em Valence, na França em 1º de Setembro de 1872. Aos treze anos deixou sua terra natal para continuar seus estudos de violino no Conservatório de Paris. Nesta ida à Paris permaneceu alguns dias em Lyon onde teve a felicidade de conhecer o Iniciado Philippe Nizier.

Foi iniciado em 1892 por Ivon Leloup – SEDIR. Tornou-se, pouco depois, Mestre de Cerimônias da “Loja Hermanubis” que era presidida por Sédir e na qual se estudava especialmente a Tradição Oriental. Em 1893 já era S.I. e Sacerdote Gnóstico. Em 1894 fora consagrado Bispo pelo próprio Patriarca da Igreja Gnóstica: Jules Doinel – VALENTINIUS.

Junto com seu iniciador, CEDAIOR, realizou uma quantidade de experiências de psicometria e se dedicou, nos anos de 1889 até 1909 a Maçonaria, Martinismo e ao Orientalismo. Fez em Paris e arredores, junto com Oswald Wirth, uma campanha de conferências sobre simbolismo, em lojas de diferentes Ritos sem resultados alentadores.

Inspirado pela profecia de seu Mestre espiritual Valentinius que disse: “Tudo o que fazes na França é apenas preparatório para tí. A tua missão pessoal é do outro lado do mar. Nada mais és para o velho mundo!”, Cedaior juntamente com sua esposa e seu filho decide dar um novo rumo a sua caminhada iniciática. Desembarcam em 26 de Fevereiro 1910, em Buenos Aires, Argentina, trazendo consigo apenas sua “bagagem” intelectual. É importante destacar que na época Cedaior já era Doutor em Kabala, pela Ordem Kabalística da Rosa Cruz, de Stanislas de Guaita.

O trabalho de divulgação do Martinismo é então, muito difícil e rende poucos frutos, apesar do contato travado por Cedaior com os maçons do sul do continente. Na Argentina funda a Igreja Expectante, em 17 de Agosto de 1919.

É devido a grande amizade desenvolvida com uma brasileira, Sra. Ida Hoffmann, que Cedaior decide investir seu trabalho no Brasil. Em 1923, chega finalmente ao Brasil, indo inicialmente morar em um sítio de propriedade da Sra. Ida Hoffmann, aliás PEREGRINA, na cidade de Joinville, estado de Santa Catarina. Ida Hoffmann era iniciada de Theodor Reuss, o alemão que era Grão Mestre do Rito Antigo e Primitivo de Menphis-Misraim e chefe da O.T.O. – Ordo Templi Orientis.

Em 30 de Novembro de 1924, retorna o Brasil e seu filho mais velho, Léo Alvarez Costet de Mascheville, que estivera dois anos na frança prestando serviço militar e aproveitando para manter contato nos meios Martinistas. Léo de Mascheville, foi iniciado por seu pai em 1920, adotando o nome simbólico de JEHEL.

A chegada de Jehel dá um novo alento aos que aqui estavam e com seu entusiasmo incita o pai a empreenderem juntos uma nova investida no sentido de acender definitivamente a chama do Martinismo no Brasil. Assim, a família faz novamente as malas e muda-se para Curitiba, cidade onde finalmente conhecem Darío Velozo, com o qual já se correspondiam por carta há muitos anos.

Jehel e Cedaior propõem a Darío Velozo fazerem um movimento de reorganização do Martinismo no continente. Mas este, devido a sua idade avançada e precário estado de saúde, prefere transferir as funções do cargo de Soberano Delegado Geral para o Brasil para Cedaior, permanecendo porém um dedicado amigo.

Em 22 de Agosto de 1925 é fundada em Curitiba a Loja “Hermanubis”, em homenagem `a primeira loja que Cedaior frequentou em Paris, sendo Jehel seu Phil… Desc…, situada discretamente na Rua 15 de Novembro junto às oficinas do Jornal “Diário da Tarde” que era de propriedade do Dr. Generoso Borges de Macedo – GEMINI.

Fundam no ano seguinte a Loja “Papus” em Goiás. Nos anos em que se seguem, pai e filho difundem o Martinismo pelo Brasil, quando enfim, em 1931, radicam-se em Porto Alegre, sul do Brasil.

É em Porto Alegre que reúnem um conjunto de fatores propícios à causa, como a prosperidade financeira e o encontro de “solo fértil”, isto é, de homens realmente aptos a via iniciática. Finalmente começa o impulso mais forte dado ao Martinismo no país até então.

Em 1936 Cedaior muda-se novamente. Vai residir em São Paulo, junto aos Martinistas desta cidade. Todavia, devido a sua idade, transfere a direção da Ordem ao seu filho Léo de Mascheville (Jehel). É necessário que se faça aqui uma ressalva. Apesar de tudo o que aprendemos tradicionalmente de boca-a-ouvido, é preciso reconhecer que a grande expansão realizada no Martinismo na América do Sul se deve ao trabalho de Léo de Mascheville, como veremos adiante.

Até o ano de 1936, o Martinismo no Brasil se expandia de maneira tímida, de homem-a-homem, com poucas lojas estabelecidas, sem um órgão central.

Em 28 de Setembro de 1937 falece Dario Velozzo.

É apenas em 23 de Dezembro de 1939 que é fundada, em Porto Alegre, Brasil, conforme sua Constituição Geral, a “Ordem Martinista da América do Sul”, vindo a congregar praticamente todos os Martinistas em atividade no Brasil, Argentina e Uruguai.

A Ordem esta formada, conforme as próprias palavras de Jehel, “como uma miniatura da Ordem estabelecida por Papus”. Assim, sua estrutura interna era semelhante a elaborada por Papus, tentando manter a maior fidelidade à tradição do Martinismo. Conforme sua Constituição Geral, promulgada em 14 de Março de 1940, soberana e independente de qualquer órgão central Francês.

O rito era composto por três graus os quais se ascendia mediante exame: Associado, Iniciado e Superior Incógnito, somando-se ainda a dignidade de Iniciador. Sua ritualística, paramentos, decorações de loja, etc… eram nitidamente inspirados no famoso “Rituel dressè par TEDER”.

Conforme as palavras de Jehel o funcionamento das Lojas se dava da seguinte maneira: “Cada Iniciador tem a obrigação de ajudar a seus Discípulos a estudarem os “Programas de cada grau…” que consistiam no estudo de simbolismo maçônico, tarot, alfabeto hebraico, Cabala, astrologia, magnetismo, magia, teurgia, evangelhos, obras de Saint-Martin e outros mestres, etc.. “Nas cerimônias coletivas, semanais, as reuniões têem caráter múltiplo: além da parte ritualístico-mística, que alimenta a alma psíquica e a Egrégora; fazem-se experiências magnéticas, outras de percepções metapsíquicas, etc.. E sem dúvida, a parte mais essencial e útil, é cadeia de união, para a prece mágico-mística…”

São criados os G.I.D.E.E, Grupos Independentes de Estudos Esotéricos em Montevideo, Buenos Aires e La Plata. E em Abril de 1942, o órgão oficial da Ordem: a revista “La Iniciación”, nos moldes da revista francesa, foi publicada até Outubro de 1947.

Foram também publicadas as traduções de vários livros clássicos em duas coleções: “La Biblioteca de la Orden Martinista” e “La Biblioteca de la Orden Kabalística de la Rosa+Cruz”.

Como ordem “interior” funcionam os trabalhos da “Ordem Kabalística da Rosa+Cruz” com seus graus de: Bacharel em Kabala, Licenciado em Kabala e Doutor em Kabala. Sendo considerados respectivamente o 5º, 6º e 7º graus da Ordem Martinista.

A Ordem Martinista da América do Sul recebeu também influência do Martinismo do Chile através de Leon Tournier (Grupo Bethel), que era iniciado de Papus, mas tinha Carta Constitutiva emanada do Martinismo Lyonês.

Paralelamente funcionam ainda a “Igreja Gnóstica” e o “Suddha Dharma Mandalam”, que era uma escola de filosofia Hindu, que chegou ao Brasil via Chile e que propagava as práticas das diversas linhas de Yoga.

Em 22 de Janeiro de 1943, em Porto Alegre, falece CEDAIOR

Este trabalho de expansão pode ser confirmado pelo bom número de “Grupos de Estudo” em funcionamento, bem como um grande número de Iniciados. Em 29 de Outubro de 1944, (em plena II Guerra Mundial) é concedida a Carta Constitutiva nº 23 ao “Grupo de Estudos Mahasaya” e apenas um dos Iniciadores atingia a cifra de 155 iniciados. Totalizavam 23 “Grupos”, 5 “Lojas” e 442 iniciados.

Em meados de 1945 ocorre um cisma entre alguns membros, vindo a Ordem a se dividir em facções: A “Ordem Martinista da América do Sul” que é assumida por Pedro Pinto Soares Freire, de nome simbólico ATHAUALPA ou ainda MAUÁ, atuando no Brasil; a “Ordem Martinista” ramo continuado por Jehel, com sua sede em Montevideo, Uruguai; e a “Ordem Martinista Universal” com sede no Rio de Janeiro.

Pedro Freire, ou Athaualpa, era S.I.I, tendo recebido o diploma de Doutor em Kabala de Francisco Waldomiro Lorenz, SÉVAKA, e posteriormente foi nomeado PATRIARCA da Igreja Gnóstica por Robert Ambelain, AURÍFER. Tal investidura foi muito contestada na época, sendo hoje apenas um dos diversos ramos da Igreja Gnóstica pelo mundo.

Desta geração de Iniciadores, cabe ainda salientar a figura do Dr. Ernesto Braga, tido por seus discípulos como um iniciado de ordem superior.

Contou-nos um de seus últimos discípulos, um episódio pitoresco que pode ilustrar a figura que era o Dr. Braga e a aura de misticismo que o rodeava: O rapaz, que não é conveniente revelar seu nome, empreende uma viagem de Porto Alegre ao Rio de Janeiro. Durante o voo, o avião passa por uma enorme turbulência. Voando pela primeira vez, é acometido de um forte enjoo seguido de vômitos. Desesperado, tranca-se no toalete e suplica mentalmente: “Braga, por favor, me ajude!”. Aterrissando o avião no Rio de Janeiro, restabelecido do seu enjoo, o rapaz resolve comprar um presente para levar para seu Mestre.

Passado alguns dias, tendo retornado a Porto Alegre, foi a reunião semanal Martinista a qual era presidida pelo Dr. Braga, aproveitando a oportunidade para presenteá-lo. Ao encontrar seu mestre, estando vários irmãos no mesmo recinto, em ambiente de muita amizade e camaradagem, desafia o Dr. Braga a adivinhar o que contém o embrulho.

O Dr. Braga responde:

– “Não vou adivinhar, porque eu sei o que há dentro deste pacote. No momento em que tivestes a boa ideia de me presentear, fizeste uma conexão mental comigo, e eu te vi. Aliás, tu já havias chamado por mim no avião quando passaste mal. E, grato pela assistência que supôs que te prestei, resolveste comprar um presente para mim. Foste numa grande loja no centro do Rio, e no bazar do terceiro andar encontraste um objeto que julgaste adequado para me presentear: uma estatueta do Buda.”

Abriu o pacote e lá havia uma estatueta do Buda!

No início dos anos 70 alguns membros decidem retomar o contato com o velho mundo. Tal movimento é encabeçado por Ary Ilha Xavier.

Ary Ilha Xavier – SEDIR, nasceu em Santa Maria, em 9 de Junho de 1932. Veio para a iniciação através da Maçonaria, fazendo parte da Loja Eureka nº27 ainda existente na mesma cidade. A dita Loja Maçônica foi, durante muito tempo, um local de onde eram selecionados os elementos a serem iniciados no Martinismo. Foi lá que veio a conhecer Martinistas como Pedro Freire – ATHAUALPA e Otto Germano Beust – KUNRATH. Este último nasceu na mesma cidade em 18 de Janeiro de 1911, tendo militado por mais de 30 anos nas Ordens Iniciáticas do Ocidente.

Foi em 1973 que Ary Ilha Xavier fez sua primeira viagem à Paris fazendo um primeiro contato com Robert Ambelain. Com uma longa conversa, Ambelain o aconselha a procurar Phillipe Encausse, então Presidente da Câmara de Direção da Ordem Martinista e filho de PAPUS.

Após vários contatos com Phillipe Encausse, Ary Ilha Xavier é reconhecido como S.I.I. Martinista e é nomeado Soberano Delegado Nacional da Ordem Martinista para o Brasil.

Dos vários contatos estabelecidos na Europa por Ary Ilha Xavier, podemos destacar a conexão com o Rito Escocês Retificado na França; com Ivan Mosca – HERMETE, na Itália; e com José de Via – PERSIVAL, na Espanha.

A publicação do livro “Temas de Ocultismo Tradicional” de Persival, fora proibida na Espanha. Como um último pedido de um velho iniciado, Persival pede a Ary Ilha Xavier que publique o seu livro no Brasil.

Antes de partir para o Oriente Eterno, Persival pode ainda ver a sua obra impressa.

Em 1976 temos a visita do então Delegado da Ordem para as Américas: Emilio Lorenzo, com sua esposa Maria Lorenzo. Tal delegação faz visitas a grupos Martinistas na Argentina, Uruguai e permanece por 40 dias no Brasil. Haviam aqui, filiados a “Ordre Martiniste”, sob a jurisdição do então Delegado Nacional, cerca de trinta membros, distribuídos em três “Grupos Martinistas”. Sendo o Grupo Louis Claude de Saint-Martin nº85, sede da Delegação da Ordem para o Brasil, em funcionamento na cidade de Cachoeira do Sul, dirigido por Ary Ilha Xavier.

A Ordem Martinista via uma acelerada expansão quando foi abalada por dois acontecimentos relevantes: a morte em 12 de Abril de 1978 de Ary Ilha Xavier, de câncer e de Otto Germano Beust, acometido de uma trombose cerebral na noite de 23 de Setembro de de 1978, permanecendo em estado de coma profundo por 3 anos e 40 dias, vindo a falecerer 1º de Novembro de 1981 em Santa Maria. Este, dotado de clariaudiência, previu sua doença e data de sua morte com um ano de antecedência.

Como já dizia Eliphas levi “não se pode matar um Padre. Matando-se um Padre cria-se um mártir. Um padre mártir é a pedra fundamental de um seminário; e um seminário cria centenas de padres…” Assim, espelhando-se no exemplo desses iniciadores que tiveram como único escopo em suas vidas a busca da iniciação real, uma plêiade de iniciados se formou, (e vem se formando) com uma sede similar à de seus mestres.

Em todos os finais de século, ocorre em sua última década, uma grande onda de saudosismo e nostalgia. Como não poderia deixar de ser, o século vinte vê com estupefação, uma grande onda de entusiasmo na revitalização das ordens iniciáticas em todo o mundo.

São esses ciclos maravilhosos, que contam com a cumplicidade da Providência Divina e dos Mestres do Invisível, que se estabelecem na terra, de tempos em tempos.

Nós temos então, a felicidade de presenciar, e a oportunidade de viver (e não sermos vividos) esses momentos que ficarão na história da humanidade”.

(Irmão Jetro)

Tarde te amei!

“1. Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.

2. Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. Durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…

3. Mas Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez… “Fizeste-me entrar em mim mesmo… Para não olhar para dentro de mim, eu tinha me escondido. Mas Tu me arrancaste do meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo, a fim de que eu enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”. Em meio à luta, recorri a meu grande amigo Alípio e lhe disse: “Os ignorantes nos arrebatam o céu e nós, com toda a nossa ciência, nos debatemos em nossa carne”. Assim me encontrava, chorando desconsolado, enquanto perguntava a mim mesmo quando deixaria de dizer “Amanhã, amanhã”… Foi então que escutei uma voz que vinha da casa vizinha… Uma voz que dizia: “Pega e lê. Pega e lê!”.

4. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Então corri à Bíblia, abri-a e li o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar. Pertencia à carta de São Paulo aos Romanos e dizia assim: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,13s). Aquelas Palavras ressoaram dentro de mim. Pareciam escritas por uma pessoa que me conhecia, que sabia da minha vida.

5. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus… a Quem esquecer é perecer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir. Foi assim que descobri a Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.


6. Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”. Vi dentro de mim a Luz Imutável, Forte e Brilhante! Quem conhece a Verdade conhece esta Luz. Ó Eterna Verdade! Verdadeira Caridade! Tu és o meu Deus! Por Ti suspiro dia e noite desde que Te conheci. E mostraste-me então Quem eras. E irradiaste sobre mim a Tua Força dando-me o Teu Amor!

7. E agora, Senhor, só amo a Ti! Só sigo a Ti! Só busco a Ti! Só ardo por Ti!…

8. Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!”

(Santo Agostinho)

Exortação àquele que deseja ler, estudar, pesquisar e compreender os Escritos Elevados

“Está escrito, o Homem Natural não recebe as Coisas do Espírito, nem o Mistério do Reino de Deus, são Insensatez para ele e nem pode conhecê-los: portanto advirto e exorto ao cristão amante dos mistérios, se pretende ler, estudar, pesquisar e compreender estes Escritos Elevados, que não os leia apenas externamente, com uma intensa especulação e meditação, pois se assim o fizer, permanecerá somente no terreno imaginário exterior, e não obterá mais do que uma falsificação colorida de tais mistérios. A própria Razão do homem, sem a Luz de Deus, não pode entrar na Região dos Mistérios, é impossível, pois sua razão, estando isolada, permite que seu entendimento seja cada vez mais elevado e sutil, porém não o deixa perceber mais do que a sua própria Sombra refletida num Espelho. O Cristo disse “Sem mim tu não podes fazer nada”, e ele é a Luz do Mundo e a Vida do Homem. Agora, se alguém pretende pesquisar o Campo Divino, ou seja, a Revelação Divina, deve primeiro refletir consigo mesmo, com que finalidade deseja saber tais coisas; se deseja praticar aquilo que eventualmente possa obter e fazer uso disto para a Glória de Deus e para o Bem-estar do Próximo; e se deseja morrer para o Mundo Profano e para sua Vontade própria, para viver naquilo que ele aspira e deseja e com isto tornar-se um só espírito com a Revelação Divina. Se não houver um propósito, para que Deus revele a Si mesmo e seus mistérios a ele, tendo com este Homem um só Espírito e uma única Vontade, se o Homem não se submeter sinceramente a Ele, a ponto de que o Espírito de Deus possa fazer com o Homem e pelo Homem aquilo que quiser, e que Deus seja seu Conhecimento, Vontade e Ação, este homem ainda não serve para tal Conhecimento e Compreensão. Há muitos que aspiram aos Mistérios e aos Conhecimentos Ocultos, apenas para serem respeitados e altamente estimados pelo mundo, para seu benefício e proveito próprio, mas eles não atingem o Plano onde o Espírito penetra em todas as Coisas, como está escrito, mesmo as coisas mais profundas de Deus. A Vontade deve ser totalmente resignada, onde o próprio Deus penetre e atue; Vontade que continuamente se rompe em Deus, em uma Humildade resignada e permissível, buscando nada além de sua Região de Origem Eterna. Deve-se auxiliar o Próximo com aquilo que obtiver, só assim o Homem poderá atingir tais Regiões.” (Jacob Boehme)

O Sanctum Regnum, a Ciência e o Poder dos Magos

“Para chegar-se ao Sanctum Regnum, isto é, à ciência e ao poder dos magos, quatro coisas são indispensáveis: uma inteligência esclarecida pelo estudo, uma audácia que nada faz parar, uma vontade que nada quebra e uma discrição que nada pode corromper ou embebedar.

Saber, Ousar, Querer e Calar – eis os quatro verbos do mago que estão escritos nas quatro formas simbólicas da esfinge. Estes quatro verbos podem combinar-se mutuamente de quatro modos e se explicam quatro vezes uns pelos outros.”
(Eliphas Levi)

A Matéria é Eterna

“A Matéria é Eterna. É o upãdhi ou base física, para que nela a Mente Universal e Infinita construa suas ideações. Portanto, sustentam os esoteristas que não existe na Natureza qualquer matéria inorgânica ou “morta”, sendo a distinção que entre as duas foi estabelecida pela Ciência, tão infundada quanto arbitrária e desprovida de razão. Seja lá o que pense a Ciência, no entanto – e a Ciência exata é mulher volúvel, como todos sabemos por experiência – o Ocultismo sabe e ensina algo diferente, como o tem feito desde tempos imemoriais, desde o Manu e Hermes até Paracelso e seus sucessores.

Assim Hermes, o Três Vezes Grande, Trismegisto disse:

‘Oh, filho meu! a matéria se torna; a princípio ela ‘era’; porque a matéria é o veículo para a transformação. O vir a ser é o modo de atividade do Deus incriado e previsor. Tendo sido dotada dos germes de vir a ser, a matéria (objectiva) foi conduzida ao nascimento; pois a força criadora a molda de acordo com as formas ideais. A Matéria, ainda não gerada, não tem em forma; ela vem a ser quando é posta em ação’.”

Helena Petrovna Blavatsky

O apego às formas exteriores da Religião

“Tendemos a enfatizar as expressões religiosas externas, mais do que o seu significado subjacente, e sentir que quem não participa dessas cerimônias não pode ser uma pessoa verdadeiramente religiosa. Esquecemos que sem a sua essência, o aspecto formal da religião é uma concha vazia. A piedade na recitação das orações ou na realização de cerimônias não tem valor se a mente permanecer cheia de ódio, paixão e má vontade. Para verdadeiramente religioso, temos de desenvolver a atitude religiosa: pureza de coração, amor e compaixão por todos. Mas o apego às formas exteriores da religião faz com que se dê mais importância à letra do que ao espírito. Perdemos a essência da religião e, assim, permanecemos infelizes”. (P. Pavri)

Sobre a Alegria e a Tristeza

Então, uma mulher disse: “Fala-nos da alegria e da tristeza.”

E ele respondeu:
“ A Vossa alegria é vossa tristeza desmascarada.

E o mesmo poço que dá nascimento a vosso riso foi muitas vezes preenchido com vossas lágrimas.

E como poderia não ser assim?

Quanto mais profundamente a tristeza cavar suas garras em vosso ser, tanto mais alegria podereis conter.

Não é a taça em que verteis vosso vinho a mesma que foi queimada no forno do oleiro?

E não é a lira que acaricia vossas almas a própria madeira que foi entalhada à faca?

Quando estiverdes alegres, olhai no fundo de vosso coração, e achareis que o que vos deu tristeza é aquilo mesmo que vos está dando alegria.

E quando estiverdes tristes, olhai novamente no vosso coração e vereis que, na verdade, estais chorando por aquilo mesmo que constituiu vosso deleite.

Alguns dentre vós dizeis: ‘A alegria é maior que a tristeza’, e outros dizem: ‘Não, a tristeza é maior.

’Eu, porém, vos digo que elas são inseparáveis.

Vêm sempre juntas; e quando uma está sentada à vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em vossa cama.

Em verdade, estais suspensos como os pratos de uma balança entre vossa tristeza e vossa alegria.

É somente quando estais vazios que estais em equilíbrio.

Quando o guarda do tesouro vos suspende para pesar seu ouro e sua prata, então deve a vossa alegria e a vossa tristeza subir ou descer.”

(Khalil Gibran)

A via do Espírito Santo

“Aquele que pede incessantemente a Deus Seu Espírito Santo, encontrará a melhor e mais certa via; pois encontrará um guia que o conduzirá através de todos os abrimos e abrir-lhe-á todas as fechaduras e portas, como todos os homens iluminados nos testemunharam e ensinaram através de seu exemplo. Sem isso, nada é encontrado”. (J.G. Gichtel)